Cascudo tema de exposição e de série de TV

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Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi um sujeito erudito que encheu cadernos de notas, observou os costumes do brasileiro sem trégua, ouviu escravos de “inesgotáveis recordações”, leu vagarosamente receitas escritas à mão 십자가의 전달자 mp3.

Considerado um dos mais importantes pesquisadores da cultura popular brasileira –e por que diabos tão restrito ao universo acadêmico?–, Cascudo vira personagem central de duas grandes ações culturais, uma exposição e uma série documental de TV easybcd 2.4 다운로드.

A mostra “O Tempo e Eu (e Vc)” homenageia sua vida e obra a partir de terça (20), no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. “O grande legado de Cascudo foi registrar a vida das pessoas e valorizar brasis invisíveis”, diz o curador Gustavo Wanderley 트로트 top 100.

Em 600 m2, arma-se um passeio sinestésico pela infância do autor, pelas oralidade ligada às lendas (eis o saci, o lobisomem), pelos gestos (o aperto de mãos, o abraçar), pelas festas (e o corpo do brasileiro que “não precisou aprender a dançar”), pelas fés 무전기 효과음.

E, bem, sempre seduzido pela alimentação, ainda caminha-se pelas práticas culinárias. Já dizia ele, “o alimento contém substâncias imponderáveis e decisivas para o espírito, a alegria, a disposição criadora, o bom humor” 영화 아쿠아맨.

O módulo “todo trabalho do homem é por sua boca” parte da obra “A História da Alimentação no Brasil”, um calhamaço de quase mil páginas reconhecido como referência easy xp vhd. Foi nesse tratado que Cascudo esmiuçou a contribuição que os índios, os portugueses e os africanos deram à formação da nossa cozinha nacional.

“Na época, foi bastante inovador Java txt file. Cascudo tentou entender como essas três grandes etnias ajudaram a definir o paladar brasileiro”, diz João Luiz Maximo, historiador e também curador do módulo Download the survival game.

É essa mesma obra, calcada na miscigenação alimentar, que o cineasta paulistano Eugênio Puppo toma emprestada para dar caldo a uma série documental para TV, cuja produção começa em fevereiro e tem lançamento previsto para 2017 qt 디자이너 다운로드.

“Cascudo foge à regra dos grandes intelectuais. Ele era um bom prosador, ia à feira, conversava com as pessoas. É esse clima do dia a dia do brasileiro que queremos trazer na série”, diz Puppo ebsi.

SUBSTITUIR, INCORPORAR

Na mostra no Museu da Língua Portuguesa, um cenário traz 126 tábuas de madeira a girar no próprio eixo, nas quais são apresentadas imagens e trechos do “cardápio indígena”, da “ementa portuguesa” e da “dieta africana”.

Entra-se em contato, por exemplo, com rituais indígenas que celebram bebidas derivadas da mandioca, raiz que recebeu “registro laudatório de todos os cronistas” desde o início da posse da terra.

“Também vamos tratar de dois conceitos caros, a substituição e a incorporação”, diz Gustavo Wanderley.

Para ilustrá-los, toma-se como modelo a doçaria portuguesa, já centenária quando o açúcar apareceu, antes calcada no mel de abelhas à semelhança do que se fazia na Antiguidade clássica.

No contato com as frutas tropicais, troca-se o marmelo pela goiaba, por exemplo, mas o modo de cocção, nos tachos de cobre, permanece.
Houve rápida incorporação de costumes portugueses –ainda tão contemporâneos–, como “oferecer alimentos na alegria do convívio, comer juntos”, registrou Cascudo.

“O português sempre fez caldos e cozidos. Aqui, ele encontra a farinha de mandioca, feita com tecnologia indígena e a incorpora nos preparos. Nasce, assim, o pirão”, explica o curador.

Para Mara Salles, uma das mais icônicas cozinheiras da culinária nacional em São Paulo, a obra de Cascudo propiciou “um olhar mais aprofundado sobre o homem e sobre o ambiente”. “Eu entrei na gastronomia um pouco pela antropologia, um pouco pela farra. E sempre fui meio cerebral com a comida.”

Roberta Sudbrack, da casa homônima no Rio, celebra ingredientes vulgarizados do nosso dia a dia, e, assim, busca estar em contato com as cozinheiras anônimas do Brasil, com as quais mantém identidade, tal qual Cascudo fez. “Sua obra é fundamental para qualquer um de nós porque até hoje nos identifica.”

Fonte :Folha de São Paulo