Governo do RN vende otimismo, mas números apontam outra realidade

No café da manhã com os jornalistas, antes do carnaval, o governo do Rio Grande do Norte apresentou um retrato “controlado” das finanças estaduais. A fala do secretário de Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, foi na linha de que a situação está sendo administrada, com medidas de ajuste e previsibilidade no caixa.
Uma reportagem publicada no Estadão e no blog Na Hora H, do jornalista Heverton de Freitas mostra outra realidade.
A reportagem coloca o RN como o segundo pior do país em situação de caixa, com R$ 3 bilhões negativos, e aponta um problema ainda mais grave: estouro do limite de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelos dados citados, o Executivo potiguar consumiu 56,41% da Receita Corrente Líquida com folha, acima do teto legal de 49% — enquanto os demais estados teriam permanecido dentro do limite.
Ao apresentar os números, o governo escolheu uma forma de exposição que ameniza o tamanho do buraco e dilui o impacto do caixa negativo, criando uma narrativa de normalidade. O que o levantamento nacional aponta, porém, é um Estado com dificuldade para pagar despesas antigas (os “restos a pagar”) e com margem reduzida para assumir novos compromissos sem travar gastos e adiar pagamentos.
Se o quadro não for regularizado, o RN pode enfrentar restrições da União, inclusive na liberação de recursos e no aval para operações de crédito.


